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Realidade alterada

por Cláudia Matos Silva, em 12.06.19

 

'...ainda não consigo acreditar que este livro está numa livraria. Adoro livrarias. Uma livraria é uma das poucas cerezas que temos de que as pessoas ainda pensam. E gosto da forma como separam ficção e não ficção. Dito de outra forma, dum lado põem as pessoas que estão a mentir e do outro as que não estão a mentir. Era assim que o mundo devia ser...

 

...Um encontro é pressão e tensão. O que é na realidade um encontro senão uma entrevista para um emprego que dura a noite inteira? A única diferença entre um encontro e uma entrevista para um emprego é que são poucas as entrevistas em que haja  possibilidades de acabarmos nus...

 

...Talvez precisemos de uma espécie de ritual antes de um encontro. Talvez fosse melhor encontrar-nos primeiro numa daquelas salas onde se visitam os presos. Temos um vidro entre nós. Falamos pelo telefone. Vemos como as coisas correm antes de tentarmos o encontro propriamente dito. Assim a única tensão sexual seria decidir se deviamos pôr a mão no vidro ou não. Se a qualquer momento não nos sentirmos bem com a situação, basta fazer sinal ao guarda e eles levam a pessoa.

 

...Adoro ver as mulheres a pôr perfume. São muito cuidadosas. Têm zonas estratégicas. Sitios que pensam que nós vamos atacar. Uma delas é a parte de dentro do pulso. As mulheres estão convencidas de que essa zona é a que concentra maiores possibilidades de acção. Mas porquê minhas senhoras? O que pode acontecer aí? Será para o caso de darem uma bofetada ao tipo? Mesmo assim fico intrigado.

-Trás!

Ele volta-se e diz «Ahhh....Chanel»

 

...Venho de uma daquelas famílias em que a minha mãe tinha um rolo extra de papel higiénico em cima do autoclismo, atrás da sanita, metido num saquinho de lã com um pompom. Não sabia se aquilo servia para as pessoas não saberem que tinhamos um rolo extra de papel higiénico ou se a minha mãe achava que até o papel higiénico tinha vergonha de ser quem é. O papel higiénico tinha um chapeuzinho, o cão uma camisola e os braços e as costas do sofá tinham uns paninhos a protegê-los. Nunca senti necessidade de experimentar drogas. A minha realidade já estava alterada.'

 

(Linguagem Seinfeld - Jerry Seinfeld)

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publicado às 14:39

Será que devo apagar este blog?

por Cláudia Matos Silva, em 08.06.19

 

Quando comecei este blog o melhor e o pior estariam para acontecer.

 

Encontraria o amor da minha vida e perderia o emprego da minha vida. Como se os dois não pudessem coexistir, como se tivesse de escolher apenas um, amor ou profissão. Escolheria sempre o amor, mas hoje sinto um vazio enorme porque também a minha profissão era um grande amor.

 

Por isso lembro-me de ter começado a escrever neste espaço, a que chamei de 'tão pouco' por achar a minha vida 'pocaxinha' e por não me estar a sentir bem, nomeadamente, a nível profissional. Na altura nem me apercebi mas houve traições, quebras de confiança, desilusões e um bullying bastante dissimulado. Eu fui mesmo a última a saber do que se andava a passar à minha volta. Por ingenuidade mas também por estar demasiado focada em manter-me forte e aguentar. Quando as coisas não corriam de feição, pensei falhar redondamente, o que nunca me ocorreu é que houve quem me estivesse a tirar o tapete debaixo dos pés para eu me esbardalhar. No fim ainda lhes dava boleia no meio carro, pagava-lhes cafés e desabafava parte do meu descontentamento com o rumo da minha vida.

 

É verdade que andava alienada, mesmo assim senti que a tempestade estava para chegar. Não sabia se forte ou moderada, se faria muitos estragos ou se apenas uns abanões. Ainda hoje passados quase 4 anos estou a tentar avaliar os danos da tempestade mas posso garantir que levou a uma mudança radical na minha forma de estar na vida, na minha personalidade, na maneira como lido com os outros e como vejo a própria vida ,e apesar de me custar muito assumir, antes ter a meu lado um grande amor do que um grande emprego. 

 

Entretanto nestes últimos anos estive a fazer várias coisas, pequenos projectos, outros apenas ideias soltas, enfim, tenho uma mente inquieta que não consegue estar sossegada. Deixei de andar pelos blogs, perdi o hábito e no meu entender a habilidade para escrever. Mas como diz o adágio popular, quem tece nunca esquece, e foi só querer e as ideias voltaram a florescer e as palavras sucedem-se numa harmonia tal que antes de dar por isso já formei uma frase, e depois duas e três...uau, já tenho um post inteiro:)

 

Porque virei a minha criatividade para o youtube, uma plataforma em muito por explorar em Portugal pelos portugueses, fui deixando os blogs definhar mas resolvi reforçar a minha actividade no youtube com um blog e para me organizar decidi apagar tudo o que era passado, só que não consigo. Vim espreitar este cantinho e está tão amoroso, até mesmo a imagem de cabeçalho é uma doçura. Não é prático alimentar dois blogs, quando às vezes até a manutenção de um é problemática, mas não sei, não consigo acabar com este.

 

Não sei se o continuarei a alimentar ou se o deixe ficar tal e qual, como uma casa abandonada mas com todos os objectos intocados. É um espaço de que muito me orgulho, que fez parte de mim num período de tempestade e que reconheço como eu, mesmo que um eu diferente. E se tantas vezes em conversas critico quem apaga blogs antigos, porque não devemos negar quem fomos, nem por onde passamos, porque hei-de cair no mesmo erro?

 

Não, não vou apagar. Talvez venha de visita de quando em vez mas a minha morada certa é aqui e aqui. E sejam bem vindos!

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publicado às 16:22


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