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Vai dormir, F***-se

por Cláudia Matos Silva, em 26.05.14


Gosto de livros infantis. Não quero ter filhos. Eu é que nunca deixei de ser aquele filha pequena que não dormia a sesta e comia apenas quando lhe dava na real gana. Porque não cresci, nem pretendo crescer, lá vou comprando alguns livros para miúdos, aqui para a miúda que só não se estica mais porque anda sempre a apertar os cordões à bolsa. Mas este é obrigatório porque bate todos os que já se escreveram até ao momento, pelo menos em atrevimento. E porquê? Na verdade é um livro, com uma história de embalar, mas cujo verdadeiro alvo é o pai/mãe do 'petiz'. Usam-se palavras adultas das que só os graúdos têm autoridade a verbalizar. E é sabido que nos primeiros tempos, entre o encantamento de ver no mundo o rebento e o extremo cansaço de noites mal dormidas, muitas destas palavras para graúdos irão escapar entre dentes. 

publicado às 16:13

No mundo de Martine

por Cláudia Matos Silva, em 26.05.14
Nunca saí do universo Martine.
Em criança desfolhava os livros, vezes sem conta, e mergulhava nas aventuras da que para mim ainda hoje é a mais bela menina que os meus olhos já alcançaram. Martine é perfeita e o seu mundo é de uma harmonia, lembra por vezes a minha própria vida.
37 anos e desfolho os livros da minha querida Martine com o mesmo brilho nos olhos e procuro no lugar mais seguro do mundo os 19 volumes que suprimiram o 'cinzentismo' dos meus dias de menina. Quero saber como chegaram aqueles livros até mim, já não recordo, e é com agrado que a revelação acontece. P. o grande responsável por dias tão pouco memoráveis na minha infância 'subtraiu' alguns exemplares na gráfica onde trabalhava. Sei, realisticamente, P. leva absolutamente tudo para casa e em vez dos livros de Martine podia ser o jornal Sexus, também produzido na mesma gráfica. Martine, não me chegou às mãos pelo cuidado de P. Prefiro , no entanto, concentrar energias positivas neste feliz acaso. Um encontro que modelou muitos sorrisos  mesmo quando P. me fazia chorar, ou gerou em mim tantos sonhos, mesmo quando P. destruia cada um deles como quem escavaca debaixo dos pés os meus brinquedos favoritos. P. está perdoado. 
Em breve a minha nova aventura, Quem tramou Anita?

publicado às 09:25

A depressão não é má diaba

por Cláudia Matos Silva, em 26.05.14

 

A minha cama revela-se um ninho espinhoso. Acordo, faço o estritamente necessário e quando volto a ela, sinto que me envolve e estrangula a vontade de fugir. Se a depressão tivesse um rosto, seria doce e convidativo como a pele de um recém nascido. Se a depressão fosse palpável, aveludada e macia como um colchão de núvens. Se a depressão vestisse, andaria com um manto branco e solto, estendendo-me os braços para que eu nunca me julgasse sozinha. Se a depressão não me deixasse tão descompensada, até podia ser uma tipa bestial.  

publicado às 09:14

Chamem-me irresponsável

por Cláudia Matos Silva, em 26.05.14
É claro, votei PAM. Sou uma sonhadora, idealista e acredito que harmonizar com o meio, é caminho andado para juntos acertarmos o passo. 

publicado às 08:59

O meu querido Cousteau

por Cláudia Matos Silva, em 25.05.14
Jacques Cousteau é apenas um dos nomes a fazer parte do meu imaginário. Bendita hora que Wes Anderson se lembrou de recuperar a mistica desse personagem em Life Aquatic. Tantas vezes cito Cousteau porque adoro fazer descobertas, ainda não alcancei o fundo do mar, mas para já debaixo da minha cama é suficientemente desafiante. Hoje descobri uma garrafa vazia de coca-cola. Sou capaz de jurar do oceano, poluído, mais limpo que o meu quarto.

publicado às 20:05

Para C.

por Cláudia Matos Silva, em 25.05.14


H. ofereceu-me pelos anos o vinil da Kate, e não tenho ouvido outra coisa, porque Kate tem qualquer coisa. Talvez seja das minhas, uma ave rara, 'esquisitona' mas por isso mesmo exerce sobre nós um dom encantatório. Não sei porquê, oiço-a e lembro-me de C. A jovem C. tem uma estética e universos muito próprios, diria até típicos da sua idade, mas creio que haverá qualquer coisa em Kate que C. irá adorar. Não posso jurar ou apostar, é apenas um pressentimento. 

publicado às 10:43

Mirando-me ao espelho

por Cláudia Matos Silva, em 25.05.14
Creio que nós e eles temos realmente tanto em comum. Diz-se dos macaquitos uns selvagens mas não me parece que a evolução do homem o revele menos símio, afinal em comum o inevitável 'instinto animal'. Não passamos de bichos mascarados, individuos armandos em importantes e auto conscientes, quando na verdade toda a nossa progressão está a levar-nos a um ponto de irreversível autodestruição. Gosto muito mais de bichos do que de gente e talvez por isso na WorldPressPhoto deste ano, tenha ficado retida por esta imagem. Olhares intrusivos dos transeuntes ficavam retidos em imagens reveladoras da nossa própria degradação. Eu preferi, parar um pouco para me ver ao espelho.

publicado às 10:21

Momento 'muito gaja'

por Cláudia Matos Silva, em 24.05.14
H. diz que tenho a mania. Assumo, é verdade, mas carrego em mim uma merecida 'basófia' pelos muitos erros cometidos. Há tanta vergonha espalhada, histórias escabrosas que nem lembro (ou prefiro esquecer), lágrimas derramadas em estados de humilhação pura que permitam-me do auto da minha sabedoria lidar com determinadas emoções com ligeireza de quem disseca com cadáver. Pareço algo fria e até calculista quando teorizo sobre estados de alma alheios, como se a mim não me restasse um pingo de humanidade e eu fosse imune a essa coisas pequenas de humano com os pés virados para a cova. Mas depois, a provação acontece. Uma saída de última  hora. Abro o guarda fato, pejado de trapos e eu desço do meu pedestal para uma crise de gaja. Nada serve, nada fica bem, é oficialmente o fim do mundo. Lembro o criador Calvin Klein, diz que tem um armário para as roupas de magro e de gordo, mas eu sou tão pobrezinha lastimo-me no meu filme 'tão neurótico' que todas as minhas teorias vão pelo cano e estou capaz de cortar os pulsos.

publicado às 11:35

A Máscara

por Cláudia Matos Silva, em 21.05.14
Odeio política, arrisco-me a dizer que os grandes males do mundo surgem por essa via, mas no fundo tudo é um acto político porque uma sociedade organizada (ou coisa assim) só funciona assente num fundamento político, seja ele de que formato for. Creio porém, na minha ingenuidade, numa altura em que tudo já foi inventado, que talvez ainda esteja por inventar um sistema que se ajuste realmente às necessidades do Homem. E se as nossas necessidades avançam à velocidade da luz, urge uma solução ou qualquer dia nem uma arca de Noé nos pode salvar da auto-destruição a que nos proposemos. 
Não é com saudade que lembro os tempos de ciência política na faculdade. Tería de matar-vos, se revelasse como consegui o mísero 11 e até um certo asco do reitor da universidade quando lhe chegou aos ouvidos o teor da minha tese. Assente nos fundamentalismos; direita e esquerda, dissertei sobre como tantas vezes as pontas se tocam e os princípios políticos também. O senhor ficou verde ao quadrado, não fosse Verde de sobrenome, imaginar-se ao mesmo nível dos que apelam de punho cerrado à fraternidade entre trabalhadores, aterráva-o para além da simples cólica. Um progressista, homem de horizontes abertos, visionário de direita, misturar facções seria ofensivo, tudo isso ficou implicito na cara verde de Verde que me aguardava à porta da sala, dizendo-me apenas "com que então foi você que escreveu aquelas coisas?!"
Houve ainda opinião pública, uma disciplina que harmonizei melhor e inevitavelmente descambou num perigo constante a que estamos sujeitos, propaganda. Diz a lei que a publicidade deve vir identificada como tal, mas a propaganda é outra coisa. Estão inscritos na histórias belos cartazes maoistas da chinesa comunista ou na segunda grande guerra da ariana alemã, porque as pessoas estão de sobreaviso, hoje usam-se máscaras ardilosas camuflando técnicas de manipulação obsoletas e com dezenas de anos. Entre o grosso da informação, que vai rareando, contam-se histórias da carochinha numa imprensa composta por jornalistas altamente susceptíveis,  laboralmente inseguros e de os recibos verdes presos no bolso das calças porque nunca sabem quando levam um chuto no rabo. Rezando por cair em graça, entram na frenética classe dos 'quinhentistas' e por tão pouco vendem a alma ao diabo. Começa aqui a desgraça deles e quem sabe a nossa também. 

publicado às 17:24

Uma lady na mesa ou uma louca na cama?

por Cláudia Matos Silva, em 20.05.14
A. partilhou mais um bonito momento de chá. Resistimos aos bolinhos porque as iguarias do Feijó já nos deixam preguinhas adiposas indesejáveis. Deitámos conversa fora, lembrando a história de Pitucho, personagem da série do Canal Q 'Camada de Nervos', e bem a propósito pergunto a A. se prefere cães ou gatos. Inegável a maior tolerância ao que se rebola aos pés de seu amo em sinal de reverência, por essa resposta, concluímos que tem um 'Pitucho' mesmo à sua medida. Por outro lado, a que não vive sem felinos, reserva o coração ao bicho egoísta, misterioso e que lhe lembra a condição humana a que está condenada. É por isso que também o meu 'Pitucho' não é tanto 'um gato de virar sapato' mas adapta-se a mim como uma sandalinha confortável, levando-me a palmilhar o mundo sob uma gigante núvem de nenúfares.

publicado às 16:09



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