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Tem cuidado com o que desejas!

por Cláudia Matos Silva, em 30.04.14


É uma expressão anglo-saxónica 'be carefull what you wish for' e tantas vezes parece a minha vida num simpático percurso de bicicleta, apreciando a vista, naturalmente, sem ambição ou expectativa mas em mente aquele sonho que consta apenas no único lugar onde ainda somos verdadeiramente livres 'fantasia'. Penso 'gostava tanto' e isso pode ser, encontrar uma grande concha na areia sem raxas ou e de cantos ondulantes ou uma coisa mais arrojada 'gostava tanto' de estar nas ruas de N.Y. perdida a passear de mão dada com o meu amor. E a minha vida prossegue, dia após dia, como um passeio soalheiro de bicicleta, sem grandes complicação ou dramas, respiro a tranquilidade do arvoredo que me acompanhada e pelo meio sinto a luz do sol esgueirar-se e encadear-me. E na minha fantasia, tantos desejos 'ai, gostava tanto' e com o tempo a passar e algumas paragens para beber um refresco na esplanada junto à marginal, percebo que tudo me vai acontecendo naturalmente. E penso no poder da mente ou quem sabe o segredo resida na forma descomprometida como estou em tudo. É por isso que 'gostava tanto' que me dessem um par de estalos, estão autorizados para tal, cada vez que cair aqui algum post lastimoso, lamurioso, amargo e cheio de queixume. M. diz-me tantas vezes, deus castiga, acredito mais em vocês e aguardo o vosso castigo. Por favor, ergam essas chibatas.

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publicado às 19:47

E qual é o grande 'happening' desta Primavera?

por Cláudia Matos Silva, em 30.04.14


Há tanta coisa que não cabe na cabeça de ninguém mas faz todo o sentido na forma como o português vê as suas relações com os outros. Se cuidar das unhas, nomeadamente recorrer ao corta-unhas no pausado tic tic, entra no campo da higiene pessoal, o português esse animal ávida pela partilha não só da mesa com pão e vinho pronto a convidar que mais alguém se junte ao repasto, corta as unhas como se fosse um acto social. O facto é visível quando a chegada dos primeiros raios de sol, entra Março e os calores no ar, e é certinho, em Abril afirma-se este ritual que segue de forma mais constante e descarada, até meados de Outubro. Expressa-se a verdade de um povo que sem vergonha puxa do corta unhas, no metro, comboio, paragem de autocarro, porta de estabelecimentos ou filas indesejáveis. O português é multifunções, desenrascado e não descura palavras amigas durante o difícil processo de tratar as unhas, influenciando neste hábito outras culturas como africana ou asiática, tal poderão comprovar nas ruas da nossa Lisboa. Atentem um detalhe, não vá uma unha desgovernada bater na vista de um pobre inocente e é o cabo dos trabalhos. De resto, não se intimidem, para quê trancarem-se no wc a cuidadar dos calos ou a desencravar pelos nas pernas? Faça-se de tudo isto um pequeno 'happening' e a vida irá sorrir mais vezes, pelo menos a quem se deparar com uma destas miragens. Chamada de atenção para o que considero o melhor blog do mundo, Tic Tic, é bem português, susceptível e enojar pessoas mais sensíveis.

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publicado às 18:37

Um cêntimo e Uma flôr...

por Cláudia Matos Silva, em 28.04.14


...foi quanto precisei para ganhar o dia. Café e flores, em comum, uma paixão que cultivo na idade adulta. Café sempre sem açucar, flores sempre silvestres. Café já meio arrefecido, flores apanhadas em quintal alheio. Havia colhido uma simpática manápula das mais coloridas que consegui quando na esquina contava escurinhos para pagar pelo meu néctar, ainda o mandei para trás mas pela boa fé do funcionário e a disponibilidade que escasseia e já dificilmente reconhecemos ouvi 'deixe lá isso'. É certo que irei voltar, porque são gestos bonitos que fazem a diferenças e as pessoas graciosas dão-me sempre muita vontade. 

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publicado às 19:57

As palavras que perdemos pelo caminho

por Cláudia Matos Silva, em 28.04.14

 

Lado a lado palmilhando a calçada lisboeta, as duas, respirando o ar primaveril e os 'pólens' também. Olhámos as flores, sim, e agraciámos as cores da estação enquanto o azul do céu se impunha.

 

- Sapatinhos com um lacinho, vi-os numa loja a 4 euros, uma pechincha.
- Qual a cor?
- Como se diz agora? Cor de vinho?
- Não sei. Grená?

 

O que é feito do grená ou até da expressão 'cor de vinho'? Duas sobreviventes do século passado pareciam discutir num vocábulo em vias de extinção e nesse instante recordei a importância de manter como um tesouro bem português as pérolas que caem em desuso no que se diz ser uma evolução da espécie mas que tantas vezes nos leva a esquecer quem fomos e até perder a identidade. Há palavras antigas, caducas ou velhas e simplesmente não encaixam na forma rápida como tudo se processa, por isso, atalham-se termos frescos, modernos, vindos de outras paisagens com influências 'tropicalientes' lembrando a cultura globalizante. Não vamos esquecer, o peso das palavras, especialmente as arcaicas, as tais que nos fazem levantar o sobrolho com reverência, têm envergadura e conferem a importância ou a intenção de um sentimento por exprimir. As palavras com estofo e história nos hábitos, usos e costumes que percorreram os nossos lares por tantas décadas, têm arrogância suficiente para valiar tudo o que realmente queremos dizer com dignidade e sem recorrer a cobardes abreviaturas, 'smiles' ou reticências.

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publicado às 19:17

Um fadinho bem trinadinho

por Cláudia Matos Silva, em 26.04.14


Lisboa (a caminho do castelo S. Jorge)

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publicado às 18:55

A pelúcia de Sophia

por Cláudia Matos Silva, em 26.04.14


Sophia Loren

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publicado às 18:49

Caprichos de uma morangosca

por Cláudia Matos Silva, em 26.04.14



O meu aniversário aproxima-se, e porque tenho tudo, e o que realmente me falta não posso comprar, tendo a sentir-me pressionada na hora de escolher um presente. Mas desta vez quase casualmente bati os olhos neste fio cuja marca não adivinha nada de bom no que ao preço diz respeito. O mundo é dos espertos ou então dos desenvergonhados, mas como não sou nem uma coisa nem outra, é meu fadário ser 'pobrezinha', por isso está decidido será o meu próprio presente, porque não é justo que alguém pague pelos caprichos de uma menina que já tudo tem.

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publicado às 16:34

Pequenas grandes liberdades

por Cláudia Matos Silva, em 25.04.14

 

...que assinalo 40 anos depois do 25 de abril, ouvindo Todd Terje 'It's Album Time' logo às oito da manhã pelo Spotify, apanhando flores selvagens no baldio junto aos contentores do lixo, sorvendo chá tetley de morango e pela primeira vez este ano, deixando os collants em casa. Celebre-se a primavera com as cores da liberdade e a tranca ao leu. Por quanto tempo nos serão permitidas estas pequenas liberdades?

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publicado às 16:13

Rói-te, Clara de Sousa

por Cláudia Matos Silva, em 25.04.14


No meu cartão de apresentação estaria sempre 'eu não cozinho' e reiteraria muitas vezes ao longo da vida. Depois encontrei o grande amor da minha vida, cada separação dói-me mesmo o peito, um amor colossal, um não posso viver sem ti que até parece mal aos romances de cordel da Harlequin e mesmo assim o meu cartão de visita mantém-se 'eu não cozinho'. Mãos dadas, de outra forma não podíamos estar no nosso amor sem precedentes, assistindo uma entrevista da Clara de Sousa o mulherão virtuoso, completo, capaz de atestar todas as frentes, ora é inteligente, aventureira, desportista, por outro lado revela-se sensível, maternal e dada às artes da cozinha. Clara, experimenta, gosta de inventar, arrisca fazer a partir do zero e conhecer os elementos. Mais, Clara faz pão. E enquanto eu salivo com a imagem de um casqueiro caseiro quente saído do forno de Clara, já com a embalagem da milhafre aberta pronta a barrar, o meu amor rouba-me a faca, lambe a manteiga na ponta da lâmina e sem dó desfere o golpe como num crime de primeira página do Correio da Manhã 'A Clara de Sousa é a mulher perfeita, faz pão e tudo.' Dilacerada, e as vísceras a banharem o chão, seguro o ventre e ergo-me como uma heroína desgrenhada e fujo do que julgava ser o grande amor da minha vida. Afinal o que procurava era uma cozinheira e no meu cartão de apresentação consta agora e como sempre 'eu não cozinho'.


Em breve cenas dos próximos capítulos...

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publicado às 11:40

Os mal amados

por Cláudia Matos Silva, em 23.04.14

 

Dos bons não reza a história, não é bem assim que o ditado popular conta, mas prefiro personagens atravessados pelo menos considero-os interessantes ou mais parecidos com cada um de nós. Gosto dos defeitos, da imperfeição, do erro e de tudo o que me lembra a minha condição humana e nesse aspecto reside toda a ironia, porque um dos meus sonhos era precisamente ser infalível e até mecânica, mas por saber de mim tão emocional já me rendi a esta condição 'maricas' de ser. Inconscientemente parece-me que todo o mundo se deve render à evidencia de que é a capacidade de falhar que nos torna tão especiais pela inteligência analítica da correcção e da constante evolução. Porque se assinala o dia do livro, e ao contrário do que se diz o português até gosta de ler o ano inteiro e não é um gosto sazonal, como as malfadadas crocks, o objecto livro pode ser inanimado mas as pessoas que estão dentro dele vivem com uma força que carregamos connosco na memória uma vida inteira. As mal amadas são as que se instalam com maior certeza no meu foco de atenção e o primeiro que me apaixonou foi Heathcliff de 'O monte dos vendavais'. Tão boa rapariga terá sido Emily Bronte mas o que lhe passou pela cabeça para fazer do herói romântico um tipo mau como as cobras?Aliás toda a história, tirando a linguagem à época que não aprecio, poderia ser contemporânea e revelar os malefícios do amor, porque tanto amor pode mesmo matar. E matar falo literalmente ou não, há tantas formas de morrer. Aliás, o meu próximo mal amado, nem sei bem se é vivo ou um 'morto andante', é um ser estranho, feito de cadáveres, um minucioso trabalho de 'corte e costura' de Mary Shelley em 'Frankenstein'. Diria que somos, hoje e na forma como a sociedade pula e cresce, se desenvolve freneticamente e ansiamos pela aceitação, pequenos filhotes de Frankenstein de coração triste e despedaçado. E como vamos colar as peças de volta? Que estragos precisaremos de fazer? Queremos realmente ser os mal amados no livro a nossa vida?

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publicado às 21:11

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