Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Uma camada de nervos "Sei lá"

por Cláudia Matos Silva, em 28.03.14

 

Sou ávida consumidora de cultura pop, das massas, o que se chama de "light" ou com pouca substância, porque variar é preciso e se toda a vida fosse preenchida de profunda interioridade a minha luz interior desvanecia-se numa núvem negra de preocupação. Viva portanto a arte inconsequente, que não deve ser considerada menor apenas porque dá pouco que pensar. Do meu embirrante jeito de ser, a figura da MRP não me é apelativa, mas pela quantidade de livros que se diz vender, um dia tentei ler via Kindle "Sei Lá". Três páginas depois estava capaz de arrancar os próprios cabelos e não quero justificar o facto pelo livro não ser um producto de substância porque, entre a total ausencia de leitura é preferível um indíviduo ler a revista Maria ou até a bula dos medicamentos. Ler é um exercício trivial para o cérebro e não é preciso um clássico para esse fim, o mesmo seria obrigar-me a horas intensivas de ginásio quando prefiro caminhadas traquilas sem fugir ao meu 'lifestyle'. A escolha de um livro por um individuo não deve fugir daquilo que ele é, a não ser que esteja a querer testar-se noutros limites, mas esse é um desafio pessoal e nunca deverá ser imposto por terceiros. Não critico os livros da MRP nem quem os lê, mas creio estar uns furos ao lado do seu público alvo, e a minha tentativa em ler "Sei lá" resulta numa camada de nervos. Apago o ficheiro do Kindle sem culpa e concluo, talvez a minha alergia se prenda com a bolha em que a autora vive. Eu também vivo numa bolha. As nossas bolhas têm um abismo que as separada. E a verdade é só uma. Lembrando o síndroma do balneário masculino "o meu é maior que o teu", neste caso direi apenas, a minha bolha é muito melhor que a da MRP. 

publicado às 08:50

No dia do livro português

por Cláudia Matos Silva, em 26.03.14


...a pior leitora de Portugal, de leitura portuguesa e afins, lembra que outrora já leu clássicos e até já gostou de livros como deve ser. Ainda menina, sofria por amor como gente grande, à laia de Shakespeare acabaria tudo em mal quando mal tinha começado. Perdi-me por "Romeu e Julieta" e segui a mesma linha de interesse numa prateleira onde constava a Florbela ou Pessoa, no que ainda hoje me lembra o recolhimento necessário para chegar à maioridade. "Folhas Caídas" do Garrett foi bom para a menina, mas agora para a mulher acabou-se. Tanto sofrimento para um só coração faz mal. 

publicado às 12:58

Trapos, trapinhos e trapetas

por Cláudia Matos Silva, em 26.03.14


Todas as mulheres, das mais femininas às que se consideram extremos opostos, nenhuma resiste à pechincha. É mais ou menos como o ar que respiramos, é simplesmente a natureza das coisas, palpáveis. Poucas coisas preenchem mais uma mulher que uma tarde perdida numa feira, entre bancas apinhadas de quinquilharias desunhando-se entre elas a ver qual tem as promoções mais extraordinárias. O que realmente está em cada uma dessas lojas de rua, possivelmente já teremos, mas não áquele preço estrondoso .Só a ideia em adquiri-lo impulsivamente é aliciante e burbulha-nos o sangue de adrenalina. Depois ergue-se-nos a voz, esganiça um pouco também, gatafunhamos com os membros superiores no ar com os sacos encavalitados porque o momento não é para menos e a excitação também não. Admito que o retrato até pode ser um nadinha caricaturado mas experimentem passar aos domingos pelo LX Factory, encontram trapos, trapinhos e trapetas (daqueles que todas nós já temos) com preços mínimos de 50 cêntimos, mas que por esse preço vale a pena comprar. Dessa forma, evitamos o vazio de chegar a casa com os braços a abanar e nas mãos sacos cheios de nada.  

publicado às 12:27

A razão tem muito pouco a ver com...razão

por Cláudia Matos Silva, em 25.03.14


Depois de ver "Frozen Ground" o relato da caça a Robert Hansen nos anos 80, um longo debate interior acerca do meu fascinío por pessoas más. Julgo-me uma criança dividindo o mundo entre pessoas boas e más, mas nestes casos parece mesmo que remontamos à história do lobo mau e do capuchinho vermelho e é quse certo que a história acontece na floresta. Atraem-me mentes dementes, aquele que não é bem o que parece, capaz do impensável, no fim das contas é denunciado por um fedor que já corre ao fundo das escadas do prédio. Não perco os documentários de mau gosto, as filmagens antigas, ficheiros perdidos, reconstruções farçolas e até familiares chorosos. Dirão que fico melhor servida com um episódio do CSI, bem mais didádico e um apelo visual, mesmo que sangrento, lapidado e especialmente simpático aos olhos do espectador. Percebam, eu não quero simpatias, apenas a verdade.  Não gosto de ficção, nada mais que a realidade sem tirar nem pôr. E ciente que os factos ninguém os saberá senão o próprio assassino, terei de me contentar com as perspectivas redutores de segundos e terceiros. A verdade é e será sempre o segredo mais bem guardado. Na psique de cada assassino há um demónio talvez por isso ninguém se atreva a chegar-lhe perto e estudá-lo devidamente. Em cada reentrância do seu cérebro proliferam as respostas, e nós ditos os normais, castigamo-nos porque urge saber porquê, e argumentamos como se escrevessemos um novelo de ficção para fins terepauticos.  Mas a razão para a existencia de pessoas más vai muito além do estatuto social, educação ou traumas de infância, a razão tem muito pouco a ver com...razão.

publicado às 19:21

Quadros ao desbarato

por Cláudia Matos Silva, em 25.03.14

Boca do Inferno

publicado às 19:19

No trilho de uma espécie de felicidade

por Cláudia Matos Silva, em 24.03.14


Não fui uma criança feliz, infeliz também não. Frases feitas contam que os melhores momentos são os da infância, comigo não pegam, nem sequer os anos da adolescência são memoráveis. A infelicidade não é palavra a que possa dar um rosto de contornos definidos mas nos primeiros anos de vida, felicidade plena, não reconheço. O medo consumia-me, refém não me conseguia libertar, sair à rua, ver o mundo e as suas cores maravilhosas. A semana passada pisei as areias da Cova do Vapor na Trafaria, quem pode ser feliz num sítio assim? Eu teria sido realmente muito feliz se não vivesse subjugada pelos fantasmas que o destino me ofereceu como Fado antes de ser nascida. A Cova do Vapor está igual à das minhas memórias, a praia mantém-se, a porcaria também, e surpreendentemente lembrei um pequeno raio de contentamento naquelas paisagens. Anos 90, conduzida pelo velho Cinca amarelo com problemas de sobreaquecimento, chegava cedo ainda com uma brisa fresca. Mesmo que mal, aprendi a nadar com um bocado de esferovite, usei o primeiro biquini e sonhei um dia ser tão livre como os que via passar com tijolos ao ombro ouvindo até à exaustão as cassetes dos guns n' roses.

publicado às 09:22

Gato com a mania que é gente

por Cláudia Matos Silva, em 22.03.14




O Benjamin é um elemento da família como qualquer outro e até dorme na almofada ao meu lado, por vezes por capricho, escolhe dormir precisamente na mesma almofada que eu, quase em cima da minha cabeça. Veio para minha casa trazido pela amiga Luísa, soube que era gato estimado mas a dona tinha falecido com um cancro fulminante, mas sabia-se que teria desejado um lar seguro para o Ricky, o nome inicial do meu Benjamin. Quando o conheci, à janela de uma pequena casa em Lisboa, com um olhar fi-lo entender que não seria desrespeito pela falecida mudar-lhe o nome, mas aqui não é nenhum bordel, não existe "vida loca", portanto gato com nome de cantor latino estaria completamente fora de questão. O primeiro ano foi de adaptação difícil, julgo que o Benjamin queria mesmo soltar a franga, comer quem sabe um frango inteiro com aqueles dentinhos que parecem agulhas afiadas e andar numa "vida loca" neste doce burgo suburbano que o acolhia. Pois a música era outra, num estilo mais contemplativo por estas bandas pensa-se muito, lê-se muito, bebe-se muito chá e dorme-se que é um disparate. Conseguimos chegar ao ponto de equilibrio passados mais de três anos. Somos companheiros e o Benjamin é mesmo um elemento da família, mais valioso do que alguns cuja ligação chega por sangue. Ele é tão presente no quotidiano, replica-me nas pequenas coisas, e sem dar conta eu replico-o noutras tantas que julgo, o Benjamin é o gato com a mania que é gente. Já não é novidade, mas eu sou gente (às vezes) com a mania (quase de certeza) que sou bicho.   

publicado às 07:50

Quem cai de cabeça em pé se levanta

por Cláudia Matos Silva, em 20.03.14

Almada

publicado às 17:15

Baby Pirosa

por Cláudia Matos Silva, em 20.03.14


Os ténis são a minha nova obsessão. Comprei os adidas dragon numa espécie de saldos, digo espécie porque creio que já não existem promoções à séria, e porque choveu quase durante dois meses seguidos resolvi guardá-los para quando o tempo estabilizasse. Uso-os repetidamente como as crianças com brinquedo novo, ficam entre o cor de laranja e o cor de rosa, algures numa cor por inventar que me apaixou mal bati o olho. Não gosto deselfies, mas um selfie aos pés ainda vai.

publicado às 17:03

Como saber se o nosso gato nos anda a fazer a folha

por Cláudia Matos Silva, em 20.03.14


Livro obrigatório para a "cat person", mesmo. Sentido de humor apuradíssimo, negro diga-se, e uma tentativa em compreender as atitudes mais sinitras dos nossos felinos. Se vos apresenta um pássaro morto aos pés não é um presente mas um aviso ou se insiste em ir para cima do computador é porque quer cortar todo e qualquer meio de comunicação com o exterior. Meus amigos é um manual de sobrevivência que urge nas nossas vidas, pelo menos na minha, ontem acordei com o Benjamin em cima da cabeça e pareceu-me uma ameaça. Hoje cheguei a casa tinha o suporte de velas partido no meio do chão, inquieto-me francamente. Numa tradução livre, como saber se o nosso gato nos quer fazer a folha já está à venda nas lojas fnac por 15 euros.

publicado às 16:50



Sem Título22.png

 




Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D




page visitor counter