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A gata das botas

por Cláudia Matos Silva, em 31.01.14

 

Keira Knightley US Vogue (2007)

 

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publicado às 19:25


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publicado às 17:25

Serei a louca?

por Cláudia Matos Silva, em 31.01.14

É tempo da galocha. Há-as de todas as cores e feitios, desde as mais caras às mais baratas, é só escolher. A chuva pede que as calcemos, mas anseio pelos chinelos, pé que se enterra em areias quentes ou pelo menos ténis coloridos com fitinhas mimosas para calcorrear esta cidade maravilhosa, Lisboa. O Sol brinca às escondidas, diz que é tímido, antes dissimulado e manipulador. Lembra uma mulher, talvez todas as mulheres, por saberem com quantos paus se faz uma canoa só brilham quando bem entendem. A mulher tem o sol no arrebite dos lábios ou na íris mais ou menos dilatada, faz-se trovoada e sabe que a intempérie pode ser temperada ou tropical. O Sol deste Inverno veste-se com um enorme manto de tule, é um sol mariquinha pé de salsa, e por salsa e manto de tule até podia ser um Sol bailarino, em vez disso parece observar-nos das alturas, dos píncaros das nuvens e brincar com os nossos humores como um vizinho maldoso que se lança à janela numa das tiradas históricas da cultura popular portuguesa "cá vai água".

 

Pois bem, eu trago o Sol nos meus pés e mesmo que chovam gatos e cães os meus lecoq cor de rosa "cupcake" acompanham-me nesta demanda. Para os loucos do instagram partilham os vossos sapatinhos com a mc Capicua, já tem single novo "Sereia Louca" e basta que façam #sereialouca para que todos os pezinhos dessas ninfetas lusitanas atravessem rios, mares e oceanos.

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publicado às 16:52

#Citações: Great Expectations

por Cláudia Matos Silva, em 30.01.14




"A verdade absoluta é quando amava Estella com um amor de homem, amava-a porque, simplesmente a achava irresistível. De uma vez para sempre declaro que eu sabia para tristeza minha que a amava opondo-me à razão, à esperança, à paz, a todos os presságios, à felicidade, a todo o desencorajamento possível. De uma vez para sempre declaro que não a amava menos por saber isto, e isto não tinha mais influência para me refrear do que se tivesse acreditado piamente que ela era a própria perfeição humana. " 

"Great Expectations" Charles Dickens

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publicado às 20:00

A intolerante

por Cláudia Matos Silva, em 29.01.14


Bem sei, a falta das minhas postas de superior interesse tornam a blogosfera menos interessante, por esse facto a consciencia acusa-me. Nos ombros o peso, a falha permanente, a responsabilização da que desde tenra idade tem para si a função de colorir com tons de patetice um mundo medonho e cinzento. No bloco de notas, papel e caneta, porque gosto do formato físico e não me deixo convencer totalmente pelo digital, anoto uma dezenas de ideias para futuros textos que tanto irão acrescentar à humanidade. Por hora, sou, como qualquer humano, replecta de fragilidades e fraquezas, afectada por esse mal a que tão dificilmente se consegue fugir, a intolerância. Há campanhas de sensibilização por todo o lado e consecutivas lavagens cerebrais, mas não tomem este desabafo como desrespeito mas o que eu preciso mesmo é uma limpeza às tripas. Ainda recorri à farmaceutica, usando palavras suaves como enfartamento, ela não se fez rogada e expôs o embaraçoso assunto, "gases" e explanou tudo e mais alguma coisa acerca das intolerâncias que provocam gases. Leite, farináceos, cereais ou alguns legumes; devo fugir deles como o diabo da cruz. Diz a senhora de branco, fada amiga e uma embalagem de Imogas passava das suas para as minhas mãos "quando estamos assim, apetece-nos bater em toda a gente". Talvez por isso mesmo se chame a este estado, intolerante. 

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publicado às 09:39

E a forretice acontece...

por Cláudia Matos Silva, em 25.01.14


Um livro, 5 euros, "Reciclagem de Jimmy", prometia ser hilariante. Carrego-o na mala como um fardo, segue para a mesinha de cabeceira e em cima dele há brincos, pulseiras ou anéis que vou plantando. Um esforço gigante apodera-se de mim, abro-o na última página que deitei os olhos, e inevitavelmente as minhas pálpebras começam a pesar. Meia dúzia de linhas e o livro volta a fechar-se com o marcador improvisado, o talão de Zara. Creio, é no fim de semana que vou dar cabo dele, "A reciclagem do Jimmy" vai encerrar o circulo que tem vindo a percorrer ao longe de páginas que aos meus olhos parecem, intermináveis.

 

Chegam os dias da estragação, durmo até ao meio dia, mimo o gato até mais não, vejo episódios atrasados do "How I Meet Your Mother", marco chá com amigas de sempre, mergulho nos meus lençóis polares quentes cor de rosa "bubble gum" e o pobre Jimmy ali ao lado, já tem uma caneca de café escarrapachada na capa, entre o título e o nome do autor, Andy Tilley. A ver, se não lhe fica um carimbo em formato de aureola porque o protagonista desta história macabra de santo tem pouco, embora não seja assim tão mau diabo. O tipo que não tem talento para nada e na tentativa de resolver todos os seus problemas, nem mesmo na morte consegue ser bem sucedido, ou suficientemente excitante para quem o lê. Bolas Jimmy, que treta de homem és tu?

 

É Sábado, a minha agenda já se compôs, mas eu vou fazer das tripas coração para que o processo de reciclagem do Jimmy tenha um desfecho capaz de nos fazer acreditar, se o pobre Jimmy consegue, nós também. Mas nota bem rapaz, eu só o farei porque o livro custou 5 euros e prometia ser hilariante. Entre a desiludão e a minha forretice, compreendo que a última ganha aos pontos. Se fiquei no cinema a ver "Dogville" do Von Trier à beira de um ataque de nervos ou o "Crash" do Cronenberg completamente enojada, apenas para justificar o dinheiro que dispensara na bilheteira. Se mesmo que no restaurante a comida saiba a sebo, lambo o prato até à última camada de gordura só porque lembro que o dinheiro não cresce numa árvore plantada cá em casa, mas sai-me do pelo.

 

Jimmy, o teu caso é, como se diz lá no teu país "a piece of cake", está certo o bolo é bolorento, mas 5 euros são 5 euros. Jimmy vai tudo ficar bem. 

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publicado às 12:53

A vida é um maravilhoso semáforo verde

por Cláudia Matos Silva, em 22.01.14
Na ponte 25 de Abril há muito que o trânsito deixou de ser previsível. Em vez de levantar o sobrolho intrigada e bramir por raios e coriscos, encostei a cabeça e relaxei ao som de Lindstrom "I feel Space", porque os carros ainda não voam para superar o tráfego automóvel mas os cientistas apontam seriamente nesse caminho. Com as rodas assentes na faixa central e poucas perspectivas em mover-me do mesmo local durante alguns minutos, um carro funerário mesmo à minha frente e a particularidade de levar dois caixões com duas coroas de flores iguais. Se uns se incomodam com a visão da morte num dia de rigoroso Inverno, eu congemino a história dos que já partiram. 

Para início de conversa, tal como Amália dizia e bem "se morremos porque nascemos?" Por outro lado, o dom da imortalidade seria a pior maldição, ver os nossos partir, invalidava todo e qualquer pacto que tivéssemos feito com o senhor dos chifres para nos manter entre os imortais tanto quanto possível. Castigo é também sermos levados para o desconhecido e deixar o coração junto dos que amamos, tão vivo, quase poderíamos voltar a renascer noutra pessoa tal é o desejo de ficar perto de quem queremos bem. É com o ar que respiramos que nos premeiam os laços que estabelecemos, são esses elos que fazem esta passagem temporária valer a pena. Enquanto não nos faltar o fôlego vamos ganhar tempo a amar, a dizer com todas as letras quanto amamas e acima de tudo demonstrar o amor com gestos nobres. 

Na ponte 25 de Abril inexplicavelmente os carros começam a acelerar e o trânsito volta ao normal. Não sei o que me espera mais à frente. Desfaço uma curva apertada e ainda com o carro funerário, os dois caixões na mira e uma bela história de amor ao estilo Shakespeare no meu imaginário, sigo com a faminta vontade de viver e acelero antes se feche um semáfero vermelho.

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publicado às 08:52

50 cêntimos, 9 bolas, 0 pessoas

por Cláudia Matos Silva, em 20.01.14

Os grandes prazeres são grátis, dizem. Até pode ser verdade, mas pensem bem, tudo tem o seu custo. Sabemos que nesta existência tão transitória os momentos reveladores são por excelência simples, mas isso não faz deles total e absolutamente livres de imposto. Viver só por si é uma imposição, ninguém nos deu a escolher sermos nascidos e tantas vezes mães sofrem pela consciência do acto, talvez egoísta, de botar no mundo o maior de todos os amores, o que nasce das entranhas. Os braços da mãe são quentes e frementes de amor incondicional mas os do mundo ardem de revolta. Ninguém sabe como tudo começou, mas intriga-nos como num só mundo se conserve tanto ódio.

Talvez se julgue a minha passagem por esta vida, superficial, inconsequente ou sem propósito, porque me recuso deixar a semente germinar e o meu ventre abrir-se em flor. Sem redenção possível, levo do mundo o melhor que ele tem para dar, mas eu nada darei em troca. A minha busca diária, porque os grandes prazeres não são grátis e nem a bondade é totalmente desinteressada, é encontrar pequenos prazeres a preço de saldo.

No Miratejo há uma mesa de matrecos antiga, jogadores em madeira com direito a nove bolas por 50 cêntimos. Sem transeuntes, sitio isolado algures no burgo, fica-se na treta clubística por menos de um euro. Ali estou no degredo, entre o prazer das gargalhadas e a culpa pela minha indiferença quando diante os olhos o mundo se quebra em mil pedaços. Eu só quero marcar o próximo golo e fazer valer aqueles 50 cêntimos o mais que puder.

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publicado às 11:07

A revolta dos electrodomésticos

por Cláudia Matos Silva, em 14.01.14


Uma solteira está por sua conta e risco. E isso é motivo para muitas sombras alheias teimarem em cobrir o sol reluzenta que brilha na paz de uma vida sem complicações. São vozes que se abeiram, olhares inquirem, expressões intrigadas, todo um mundo tenta compreender uma opção que é tão legítima como a de querer dar o nó. Se uma mulher inteligente, bonita e esclarecida decide viver com um ou mais gatos tecem-se teorias acerca de uma qualquer patologia não dagnosticada no carácter da jovem mulher. Não vale a pena puxarem mais pela cabeça porque esta solteira a que muitos já terão colado o não abonatório título "crazy cat lady" gosta de viver sozinha por tudo o que a imagem deste post ilustra. Isso tudo, mesmo, solidão também. Lembrem, o ser humano precisa de equilibrio e bem estar e as respostas mais simples tantas vezes estão debaixo do nosso nariz.


Anne Morrow Lindbergh nos anos 50 escreveu um livro único sobre a importância da mulher aprender a estar só e apreciar esses momentos como dádivas.  "The Gift from the Sea" (já nas livrarias portuguesas e traduzido em português) é tão fino como uma fatia de fiambre mas de uma riqueza e substância, especialmente na década em que foi redigido, constitui um documento vanguarda de valor incálculável. Anne não defende as pessoas como bichos, apenas se renovem e partilhem o seu melhor com todos quantos amam. E neste percurso de vida que se faz andando, nunca devemos descurar. Parar nem que seja 5 minutos por dia, isolar-nos do mundo, promover o nosso umbigo para gostarmos de nós, mimando-nos como ninguém o fará é o fulcro de toda a questão.


Chegamos ao século XXI e nem os electrodomésticos parecem preparados para a emancipação da mulher. Porque estou por minha conta e risco, as lides caseiras são feitas ao meu ritmo e vontade. O aspirador raras vezes vê a luz do dia, é um facto. Não é de estranhar, cada vez lhe ponho a mão para dar um jeito à carpete, sou agredida pelo tubo de aço que suga as poeiras. Após tantas cabeçadas ao malfadado tubo, decidi-me pelo que Anne certamente não dispensaria no seu tempo e não faria dela uma mulher menos feliz, a vassoura. O velhinho cabo de madeira é uma representação de mim, vai-se mantendo firme, mas as suas marcas que o tornam mais escuro e irregular, lembram-me desse facto dramático,  tudo é transitório. Mas se soubermos bem viver, mesmo com marcas fisicas que denunciam a devastadora passagem do tempo, continuaremos a ter o nosso valor e importância para os outros, mas acima de tudo para nós mesmos.

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publicado às 16:34

Presa por mais que um fio...

por Cláudia Matos Silva, em 13.01.14


Há um milhão de situações embaraçosas que podem acontecer com o meu querido por perto, e num outro contexto, relembram apenas a minha condição humana. Numa determinada fase das relações, homens e mulheres, recusam alguma da natureza inerente a todos nós, animais, racionais. Na série "Os Normais" o personagem Rui confronta a namorada Vâni "até quando vais negar que tens intestinos?". E o que temos de certinho nesta demanda para esconder as funções naturais ao bom funcionamento do corpo, é darem de si sem nos pedir licença. Nesse instante percebemos de que fibra é o homem que nos acompanha e se realmente deve continuar a merecer tanta cerimónia.


Comi salada, carregada de bróculos, e embora adivinhasse que a coisa deveria estar verde, o meu passarinho azul não me deu tréguas e  por isso continuei a arreganhar a dentola, porque a vontade de rir é genuina quando a paixão nos toma de assalto. O meu querido avisou, o que talvez eu já soubesse, havia algo verde no meu dente. Embaraçada remediei a situação, mas nada resultou, e o olhar dele não desviava um milímetro do bróculo retido na fisga do meu canino. Remexi a mala e lamentei não ter fio dentário mas nada estava perdido. O meu querido, qual Macgyver latino, soltou uma linha do cinto e graciosamente ofereceu-me para que pudesse improvisar um fio dentário e livrar-me de uma vez por todas da pequena horta plantada na minha boca. 

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publicado às 14:52

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