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Vamos todos ao Cinema Ideal

por Cláudia Matos Silva, em 29.01.15

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O Cinema Ideal reabriu o ano passado absolutamente renovado. Durante anos chamou-se Cinema Paraíso, aliás sítio que de paradisíaco não tinha nada, a não ser para alguns sem abrigo que pelo simbólico preço de um bilhete de cinema podiam encontrar um tecto, mas era certo e sabido, pelo caminho haveriam de tropeçar em mais qualquer coisa, geralmente surpresas um tanto bizarras. Era difícil quebrar com uma tradição tão longínqua, enraízada nos locais que iam para o Paraíso confraternizar e acrescentem-se aspas à palavra, confraternizar, porque neste caso é um conceito por demais lacto.

 

A equipa que resolveu criar o Cinema Ideal, tinha bem presente um espaço num dos locais mais previligiados de Lisboa, nobre até, que o turista pode ver e fazer usufruto, mas o objectivo não era um espaço para inglês ver mas para o lisboeta desfrutar, trazendo o cinema ao centro de Lisboa. E para isso foi preciso, sem aspas, escavacar. Muito tiveram de partir, tudo, diga-se. Do que foi o Cinema Paraíso não ficou nada, e no que é realmente o meu cinema Ideal, (não apenas de nome) ficou um paraíso à média luz de portas sempre abertas para me receber. Posso apenas beber um cacau quente, ler uma revista, ou assisto a um clássico que nunca vi como 'O Grande Ditador' de Charles Chaplin e agora em cena, ou para algo completamente diferente, o novo de Jean Luc Godard 'Adeus à Linguagem', e claro há sempre lugar para a produção nacional, a bandeira do Cinema Ideal.

 

Não há pipocas na sala e as pessoas sentam-se com a reverência de tempos passados, respeitam aquele espaço, mimam-no. Há crianças, acompanhadas pelos pais, há idosos de andarailho acompanhados pelas esposas e filhos, há fadistas de fama ou hypsters em bando. Há gente, muita gente que ruma ao cinema Ideal. Entram e vivem o espaço. E depois cá fora, há quem não se atreva a entrar, ficam do outro lado do passeio, melancólicos, a sonhar com o que um dia foi o Cinema Paraíso. 

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publicado às 11:13



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