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'Robin das Artes' o anti-biótico para a desesperança

por Cláudia Matos Silva, em 10.12.15

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É aquele sentimento que vejo nos olhos do meu pai, desesperança, é terrível uma espécie de vírus que ninguém percebe como apanhou. 


Um dia acreditava que a vida era uma coisa extraordinária, mesmo nas suas insignificâncias, para depois sem prever, acordar e antes de ter tempo para me levantar da cama, sentir a desesperança atirar-se a mim com 'ganas', são tantas as 'ganas' desta desesperança, estrangula-me e quase me leva. Em vez disso, fico derreada. Respiro fundo, ergo-me, lenta, desamparada como quem acabou de apanhar uma carga de porrada numa esquina de rua. Ninguém viu, mas sinto as carnes doridas, juro ter nódoas negras, porque a desesperança dói, fisicamente penosa, abalroa sem critério.

Atropelada e ali fico jogada nessa febre que se espalha viral, sem controlo.

Sintomas; a falta de fé. Nos outros. Em nós.

Deixamos de acreditar e pronto, caímos no jugo dessa maldita desesperança. Não há solução medicamentosa que nos liberte mas há o gesto, por nós, pelo próximo e é nesse gesto que reside a cura para a doença, que avança calamitosamente deixando pelo caminho tanto desespero.

No mesmo dia que julgo ver um homem pendurado no gradeamento da Ponte 25 de Abril, provavelmente mais uma vítima da desesperança, oiço a estório do 'Robin das Artes'. Todos falam dele, especialmente no bairro que frequento, entre Laranjeiro e Miratejo, onde recolho pedaços que felicidade, um antibiótico para a minha própria febre.



Gostava de abraçar o 'Robin das Artes' porque me fez sorrir, ver o bairro decorado com arte é de artista e devemos-lhe todos um agradecimento por lembrar Portugal que a desesperança se pode ir vencendo, sorrateira e com malandrice. Surgem olhos a brilhar, os que há muito haviam esquecido de apreciar com a mesma paixão o sol e a chuva.

 

Que bom, os heróis não vivem só nas grandes cidades.

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publicado às 21:46



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