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O natal é...uma lista de exigências

por Cláudia Matos Silva, em 21.11.15

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Não é novidade, há uns estraga prazeres (eu), que não apreciam o natal pelas razões mercantilistas da 'coisa'. O natal nada tem a ver com o barbaças vestido de branco e vermelho.

 

As crianças têm uma lista predefinida e exigente dos muitos presentes que obrigam os pais a comprar. E, notem, a palavra obrigar não está entre aspas, porque há a obrigatoriedade em cumprir criteriosamente cada item da lista. É até com orgulho que os miúdos partilham entre colegas quão fantásticas são as suas exigências, ignorando que o pai natal não é uma entidade mas tão simplesmente, dois indivíduos que se vêm gregos para lhes pagar o material escolar, quanto mais as superficialidades. E aqui reside o principal problema, os dois indivíduos que ganham, cada um pouco mais do ordenado mínimo, e contam trocos na hora de comprar o pão, cimentam no seu mais que tudo a importância do supérfluo. Se não vejamos, o miúdo pede (exige) porque o pai assim permite, uma nova colecção de super-heróis, o pobre progenitor, comum mortal sem capa ou espada, não sabe como se desenrascar daquela 'emboscada', mesmo assim tenta um golpe baixo 'se tiveres boas notas...' É sabido, quer sejam boas ou más, as notas que escasseiam para o sustento básico do agregado familiar, pouco ou nada tem a ver com as notas que o 'petiz' revela no fim de cada período. Como por artes mágicas, haja ou não pão na mesa, o pinheiro de natal é ricamente decorado não só com adornos dourados e prateados, mas com muitos embrulhos em papel colorido e bonitos laçarotes.

 

E se acredito na urgência de vermos o melhor em cada situação, julgo que a hora de juntar a família em redor de uma árvore é a grande fortuna, nesta época de fanatismo consumista. Pais, filhos, avós, todos a criar ou reciclar, praticar a criatividade com risos e ternura. Procurar em passeios afectuosos, pedrinhas, musgo ou pequenas pinhas para embelezar o presépio. Está encontrada a verdadeira magia do natal, é preciso apenas, vontade. E que valiosa é a nossa vontade, a tal vontade que passamos o ano inteiro a menosprezar. 

 

Porque tenho gatos, e a maioria dos patudos tem uma relação de loucos com o pobre pinheiro, há muito optei por criar soluções práticas. A minha árvore de natal saiu totalmente das minhas mãos, tem pouco mais de um palmo e muitas laças, pontos e pauzinhos. Crochetei a árvore e nada ficou ao acaso, nem a estrela em destaque no topo, junto a um dos meus livros de Freud. Ali está desde hoje, e o resto do ano, para me lembrar da verdadeira essência da vida. E se puder fazer em cada dia, um novo natal, então que os meus presentes sejam abraços sinceros, generosidade e cuidado com os meus, sem esquecer que os outros também somos todos nós.  

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publicado às 18:02



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