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Mindfulness é partir a loiça toda

por Cláudia Matos Silva, em 11.06.15

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Com a evolução da espécie escasseiam os nossos propósitos nesta vida. É um 'non sense' mas talvez explique as prateleiras das livrarias com secções dedicadas a auto-ajuda. A ideia dos livros de colorir até me agrada, mas há uma estratégia de marketing muito bem urdida a fim de nos fazer crer que encontrámos o que nos irá realmente preencher. Surge agora o conceito Mindfulness e abarca palestras, livros e outras técnicas numa versão mais polida dos productos vendidos na TVShop e outros canais que tais. Vou mais longe, assumo a minha paixão por canais de vendas, somente porque me deixam  dormente, algo 'zombificada' e o implacável João Pestana não resiste a uma boa cinta delineadora de silhuetas, para imediatamente me embalar no sono dos justos.

 

Mindfulness, não me adormece, bem pelo contrário, irrita-me. Dizem os teóricos, devemos aprender a sentir o corpo. Com mil raios, sofro de flatulência crónica entre outros desarranjos embaraçosos, detesto ouvir o meu corpo. Se ao menos o meu corpo fosse delicado como uma madame, nada disso, fala alto e mais parece que solta o pregão na praça da Ribeira. Diz um dos entendidos em Mindfulness, um copo de água não é apenas um copo de água, vamos apreciá-lo. Ali fica, queimando tempo televisivo, um espécime que nem sequer serve para lavar as vistas, falando serenamente como se há muito lhe tivessem cortado os testículos e cujo grande propósito mesmo 'descolhoado' fosse apreciar a textura daquele copo, o frescor daquela pinga de água. 

 

Nem por acaso, juntam-se duas mulheres com dois grandes pares de tomates, não os pediram emprestados, são delas por direito, assim nasceram com uma vontade indestrutível. A. arma-se em electricista e já só metade da casa está às escuras, eu tenho a mania que sou a 'endireita' do bairro, e antes de pôr as mãos em A., e não vá a nossa diabinha (também naturalmente com a sua bela tomatada) tecê-las, calco bem no fundo do gorgomilo da minha paciente um voltaren rapid. Bolas, nem sequer há tempo para apreciar a água, o copo parte-se em mil cacos pela cozinha meio despida. Também meio despida já se encontra A., rabo ao leu, dou-lhe cabo daquela lombar, ela geme, mas não há um pingo de erotismo. Pelos meus dedos sinto-lhe pequenos nódulos inflamados mas os meus pensamentos continuam no copo partido. E se resolvesse colar caquinho a caquinho, trabalho de relojoeiro, minúcia e habilidade até que o copo voltasse a ser inteiro?! Se o fizesse, tenho a certeza, a minha mente estaria cansada e pela noite já nem havia tempo para as televendas, iria quedar-me como uma donzela Shakespereana. Mas para tudo isso acontecer, os meus testículos, os tais herdados pela genética de uma família matriarca, teriam de ficar em repouso na mesinha de cabeceira tal e qual uma velha dentadura.   

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publicado às 23:38



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