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E se alguém um dia lhe oferecer uma flor de plástico?

por Cláudia Matos Silva, em 23.03.15

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O primeiro pensamento não é o melhor. Quem gosta de flores, aprecia-lhas o cheiro, cor, textura e até a forma como se adapta ao cantinho mais especial lá de casa. Mas também a vemos definhar, as raizes apodrecer, por mais que se lhe mude a água com frequência, o destino está traçado e a morte é certa. Se estou num daqueles dias de melancolia assolapada, custa-me deitar ao lixo aquele flor, oferecida com tanto afecto. Os pensamentos de perda afloram-me os sentidos, os medos ressurgem e a consciencia da maior de todas as miserias; ver partir todos quantos amamos. Tolhida por este medo, amo pouca gente, e amo com uma mão contada de pessoas que valem a pena. Não amo desaforadamente, este e aquele, qual FlorBela. Sou de amores eternos, shakespereanos, mas o meu coração não chegaria aos 30 se me entregasse desta maneira a mais de um punhado de gente boa. A eternização vejo-a como possível quando recebo uma flor de plástico. Não entendo se é um cravo, ou uma rosa, mas está reservada a um sítio especial, onde moram as pessoas que um dia levarei no coração até ao exacto momento que ele deixar de bater. Nada é para sempre, mas enquanto cá andamos, há tempo suficiente para nos eternizarmos na vida uns dos outros. Porque depois somos apenas pó, somos nada, e o resto não importa.

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publicado às 18:55



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