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Dia da criança ou uma galheta bem assente

por Cláudia Matos Silva, em 01.06.15

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A ironia estampada na frase' as crianças são o melhor do mundo' escrita por quem nunca teve filhos e segundo se desconfia nunca sentiu o apelo da paternidade, o tal de Pessoa. Para mim, e não sou poeta nem lírica, o melhor do mundo são muitas outras coisas e as crianças coexistem em harmonia num número ilimitado de prazeres que diariamente acolho de braços abertos.

 

Se alturas houve que disse despudorada 'eu não gosto de crianças' hoje gosto de as desafiar a saltar por breves instantes ao mundo dos adultos enquanto me permito ser ainda mais infantil do que é costume. Chamem-lhe um mini estágio do que aguarda os meninos de hoje, Homens de amanhã. Sem nunca deixar de lhes sorrir, pisco o olho em momentos de espontânea cumplicidade ou desarmo-os com um sorriso matreiro de raposa velha. Mas há algo inegável, eu não percebo absolutamente nada de crianças, nem como a psique delas funciona, e por estranho que pareça já fui uma, e diz-se até que fui das que se munia de uma certa esperteza saloia ou tentativas de dissimulada manipulação. A resposta surgiria antes que pudesse avançar afoita com o meu plano, um sussurro ao ouvido 'em casa falamos' e sabia instintivamente, iria pagar com juros, tudo o que havia aprontado.

 

Fez portanto sentido uma frase que terei ouvido há muito tempo atrás 'deves andar a comer elásticos ao pequeno almoço'. O miúdo na altura, silenciou-se e comeu o seu happy meal amuado, como não percebo nada de crianças, pareceu-me que mãe haveria sido demasiado inflexível. Até conhecer L., a que nunca ouve a palavra 'não' e se ela é proferida pelos adultos, faz ouvidos de mercador. Joga a seu favor uma extraordinária beleza, por isso é certo que conseguirá dar volta a um 'não' pouco sustentado num jubiloso 'sim' em mais uma vitória sobre os adultos.

 

Moldar carácteres, formar bons seres humanos é trabalho que não tem preço e muito menos reconhecimento. É preciso a coragem de enfrentar tantas solicitações, desafios, perigos e mesmo assim manter a firmeza. Neste dia da criança, os meus votos vão para as mãe coragem, as que dão o seu melhor e pensam que o seu melhor não é bastante. 'Onde é que eu falhei? - oiço algumas perguntar, mas a resposta irá apenas ouvir-se daqui a muitos anos. Agora, a criança sabe do seu poder de persuasão, e fará de tudo por um 'chupa chupa', mas quando as próprias passarem pela provação da maternidade, a primeira coisa a fazer é declarar sem demora, às que lhes aturaram todas as birras 'foste e serás sempre a melhor mãe do mundo...mesmo quando me dizias 'não'.

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publicado às 21:14



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