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Amá-la, Amália

por Cláudia Matos Silva, em 06.10.16

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Porque hoje se assinalam 17 anos da partida de Amália...

 

O cenários, umas águas furtadas à Travessa da Hera em Lisboa, e os triunfantes anos 80 com um 'boom' musical. Os punks, instalados nos passeios da cidade, gostavam de me puxar as tranças mas nas águas furtadas alguém puxava pelo meu gosto musical. Fernanda, amiga de infância, caracóis negros, óculos fundo de garrafa e gengivas salientes. Eu gostava tanto dela, dos brinquedos dela, das brincadeiras dela e da 'grafonola' da avó dela. Um rádio antigo, madeira clara, e a parte dianteira coberta a tecido cuja cor variava entre o creme e o verde pistácio. A minha Fernanda, a das águas furtadas à Travessa da Hera em Lisboa, era o um bálsamo, o verdadeiro recreio, uma esfera de felicidade. Ela escolhia as músicas, o que mais tarde viria eu a fazer, e se ela tinha bom gosto. Brian Ferry, Prince, Earth & Fire ou Amália. A senhora do Fado seria um 'guilty pleasure', com seis anos não tínhamos sensibilidade para entender a canção de Portugal, por isso troçámos até ficarmos esgotadas de tanto rir. Dançámos aos caracolitos, os caracóis dos espanholitos, a nossa canção favorita de Amália. As outras canções de Amália recusámos ouvir, escutando em 'repeat' uma letra que à época, como hoje, não faz qualquer sentido. Uma parvoíce, um jogo de palavras cativante aos nossos ouvidos duros como pedra. A Fernanda abria a boca e deixava dentes e gengiva num louco 'fernicó', só comparável aos seus próprios caracóis que saltitavam ao som da cançoneta.

 

A ironia de tudo isto, muitos anos mais tarde, Amália seria minha patroa. Sou-lhe grata por tudo, a Amália e à Fernanda, ambas à sua maneira tornaram a minha vida especial. E não tenho 'Medo' de dizer abertamente, pelas boas memórias de uma infância nem sempre plena, escutar Amália com a Fernanda traz à minha memória um deleite de coisas boas.

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publicado às 20:48



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