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Porque o mIRC hoje faz 20 anos...

por Cláudia Matos Silva, em 18.09.15

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Às vezes lembro os tempos do mIRC, e há alguém tão old school quanto eu que atira ao ar 'ddtc'. O msdos e os respectivos comandos faria do pc uma máquina de dificil utilização, motivo pelo qual nessa época se tiraram muitos cursos de computadores que hoje valem zero.

 

Anos 90 e o google não havia sido elevado a oráculo de bellini, existia apenas o yahoo cuja maior parte das questões ficavam por responder e no fundo servia apenas para nos levantar mais duvidas.  O modem ligado à linha telefónica e o barulho estridente não conferia grande privacidade ao que hoje é o simples acto de navegar, uma extenção da nossa mão com um telemóvel carregado de aplicações para que o conhecimento possa fruir, naturalmente.

 

Mas há alguma nostalgia nos primeiros tempo, noite dentro sentia liberdade para me ligar sem que isso embaraçasse alguma chamada para o telefone fixo, borbuletava-me no estômago uma certa excitação da novidade, do desconhecido. A emoção contida de quem tinha o mundo inteiro entre quatro paredes. O momento alto acontecia se ligava o mIRC, tarde e a más horas, ainda não existia messenger e nem vislumbravamos a possibilidade das redes sociais. Dígamos que me sentia afoita perante um teclado e um ecran, confiante, apresentava-me num nick 'open arms' e acolhia de braços abertos todos quantos viessem a bem.

 

A minha vida social, inexistente, terá feito de mim uma adolescente 'ratazana de biblioteca'. Passei-a a ler Florbela Espanca ou Almeida Garrett e certa que o melhor do mundo era sofrer por amor. O mIRC abriu-me horizontes para outras formas de estar na vida, no fundo todos os utilizadores estavam em processo de descoberta mas acima de tudo, auto-descoberta. Muito se terá perdido com a banalização das comunicações virtuais e surge essa consciência no dia em que convidei a minha vizinha a descer um lanço de escadas para conversarmos e ela preferiu ficar agarrada ao chat comigo. Daqui para a frente perdemos o controle neste role de actualizações em apps que regulam os nossos intentos.

 

Nunca terei encontrado um amigo no mIRC, mas tive momentos muito bem passados com anónimos de quem sabia apenas um nick. Agora diz que tenho mais de mil amigos no facebook, amigos, termo tão abusivo para 1039 pessoas que desconheço e pelo tipo de posts que sucedem o meu news feed, prefiro que assim seja. Em todo este percurso de descoberta e auto-descoberta, conclui-se, há demasiada gente com tão pouco para dizer.

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publicado às 09:41

A história de um ego em fanicos

por Cláudia Matos Silva, em 16.09.15

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Estranhei a forma desempoeirada de encarar, em Dezembro de 2014, uma chamada ao quarto piso do prédio onde trabalhava. Seria o início de um ciclo, é certo, mas o fim de uma vida inteira dedicada a fazer o que sem escolha se tornaria numa paixão. Daquele Dezembro em diante, não seria a mesma, mas isso não se manifestava com desconforto, bem pelo contrário, havia uma nova vida para viver e um mundo de oportunidades para abraçar. Não chorei, nem me lamentei, muito menos conspurquei as redes sociais com palavras odiosas, dedicava-me a amar em grande os pequenos momentos.

 

As feridas profundas têm um jeito estranho de se manifestar, como uma doença que nos apanha pela calada, parece estar tudo bem e de um momento para o outro caímos, e só nesse instante de queda inesperada ganhamos a humildade dos que há muito compreenderam como somos frágeis,e por tudo ou nada, quebramos.

 

Sinto-me quebrada, é uma dor que me arrepanha até ao escalpe. Tenho febre, juro. Frio e calor ao mesmo tempo, acreditem. Mal consigo abrir os olhos e encarar a luz, percebem? Doi-me o ego escangalhado, e desconfio não há cangalheiro que lhe dê utilidade. É apenas mais um ego doente que caminha entre outros 'mortos/vivos', sangra e não estanca, e eu só queria uma coisa, tão simples e até insignificante, conseguir chorar. Chorar como uma criança a quem nasce o primeiro dente, que de tanto chorar o rosto deixasse este tom pálido, e de corado, se transformasse em vermelho vivo e até arroxeado, porque não. E havia de gritar, bramir, esbracejar, dizer ao mundo inteiro que não é justo, nada disto é justo se ego se degladia com falta de amor próprio.

 

E já cansada, as veias da garganta latejantes, o cabelo em desalinho e acompanhada por um gato carinhoso mas de cauda eriçada, a ferida deixava de ser apenas aquele poço ensaguentado e sem fundo. Via-se uma ténua camada de crosta, a primeira, ainda frágil e a certeza de que gretaria várias vezes, mas o ego erguer-se-ia, vaidoso, e diria como uma lição rcém aprendida ' para me levantar foi preciso cair'.

 

Faltam-me no entanto as lágrimas e com elas toda a minha vontade se esvai numa existência, mais ou menos, e assim num marasmo sem precedentes, não escrevo, não crio, nem creio em mais nada. Todos os dias são, mais ou menos iguais, arrasto-me seca, quando antes sequiosa consumia o mundo com as 'ganas' de uma Isabel Pantoja que vive apaixonadamente todo e qualquer desamor. Deserto desconsolado, é aqui onde me encontro, não tentem encontrar este inferno, é apenas meu e não o partilho com ninguém. E por isso não peço desculpa, como não peço por nada nem ninguém. Danem-se.  

 

Vivo um dia de cada vez, egoista, a cada instante um pouco mais de egoismo se apodera de mim e o ego em fanicos, é incapaz de entoar sequer um 'tiru-liru-ló' na versão da sô dona Amália para o libertar de tão triste fado. 

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publicado às 19:29

A nova decoração da serra de Monchique

por Cláudia Matos Silva, em 08.09.15

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Percorro a serra de Monchique e conto encontrar no topo do Fôia, o ponto mais alto do Algarve. No cucuruto da serra numa paisagem entrecortada por colinas a perder de vista, debaixo de um céu azul bem português, entro num sonho delirante e juro a pés juntos, o vislumbre de aves absolutamente imóveis. E desse momento em diante, sinto-me em plena fantasia histérica, e os meus olhos não conseguem evitar alcançar formas toscas que lembram monges a flutuar, gente acocorada, sombras indefinidas que me captam a atenção. Acordo deste sonho, e em meu redor tudo me parece exactamente igual, o travo encrosta-se no céu da boca, no topo algarvio, o ' deja-vu'.

 

E mesmo perdida encontro na imensa curiosidade, a coragem.

- Vês o que eu vejo? - pergunto a medo.

 

Enche-me o peito de contentamento. Talvez um sonho tornado realidade, as pedras transformam-se em peças de arte, viva e mutável. São pedras, as analogias que lhes atribuímos são cruéis;  ' é burro como um calhau' ou ' frio que nem uma pedra', mas que culpa têm as pedras, as mesma que no Fado se atiram polidas por palavras cortantes.

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As pedras no Fôia são reais, empilham-se em pontos estratégicos, equilibram-se, testam diariamente a gravidade e acima de tudo reinventam a moldura paisagística de Monchique. É assim desde 2013, um budista embrenhado na serra lembra-se de a decorar, como se fizesse daquela imensidão verdejante a sua própria casa. Fôia é de todos quantos a visitam, deixa-nos confortáveis e ainda nos convida a usufruir do espaço, com a consciência de que devemos cuidar, sempre.

 

Pelo chão rola mais uma pedra com ela dou por terminada a minha peça e junta-se a dezenas de outras obras espalhadas encosta acima, vale abaixo. 

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publicado às 20:27


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