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2015 o ano das incertezas

por Cláudia Matos Silva, em 29.12.14

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Aos 17 anos eu sabia o queria, quase a mesma coisa quando tinha 7 ou  27. Uma miúda cheia de certezas, tantas que tombaria um pouco aos limites da basófia, perante os que se perguntavam sobre o futuro. Não sabia ao certo como concretizar tantas certezas, mas permaneciam; absolutas e indiscutíveis.

 

Aos 7, M. falava de mim como uma mulherzinha, usava os meus óculos de massa, por isso seria a 'oculista cristal d'ouro' para os putos da rua, mas o melindre não toldava as minhas certezas. Aos 17, M. dizia a toda a gente que o seu rebento, tão cheio de certezas, já havia chegado perto do que seria uma profissão no futuro. Aos 27, M. tinha uma ruga entre os olhos, e camuflava tal arrelia com questões quotidianas, mas eu sabia que parte daquele vinco na sua pele se devia à inquietação que lhe atravessava o coração, cada vez que pensava no meu futuro.

 

Aos 37, tenho uma conversa séria com M., digo-lhe que todas as minhas certezas se reduziram a pó durante este ano e que na verdade não faço ideia do que ando aqui a fazer, nem sequer do que almejo para amanhã, quanto mais para daqui uma semana, um mês ou um ano. M. toma victan, uma e outra vez, cada vez que me ouve pelo telefone, vai mais um victan, se está comigo, viro contas, outro victan. M. está ralada comigo e por outro lado, a mim, dá-me a sensação que nada me rala. 

 

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publicado às 18:00



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