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Desmistificação

por Cláudia Matos Silva, em 31.05.14


Diria há uns tempos, não me façam pensar a estas horas, é demasiado cedo. As ironias têm destas coisas, porque agora estou a pé primeiro que toda a gente, incluindo fins de semana e tudo. Antes uma 'outsider' porque vivia de noite, continuo a minha demanda 'carta fora do baralho' porque faço a minha vida antes de toda a gente. E sim, pela fresquinha já passeio o pior telemóvel do mundo para sacar uns instagrams ou simplesmente captar o momento e mais tarde, quando já nem me lembro (memória de periquito, diria) voltar a ele e retirar o melhor que há dessa situação. Fico lixada quando não posso registar o momento, conduzir e fotografar são duas tarefas realmente dificeis para a esta pobre diaba, mas fixei mais que uma vez a frase que me alertou pela fresca nas paredes de Almada. 'Não te rebaixes, nunca encaixes' e vejo-me ao espelho, sem disso fazer um cavalo de batalha, a minha forma de estar na vida. M., um outro 'outsider' com ganas de encaixar, deu-me um dia os parabéns. Fiquei pasmada, pensei que abominasse este meu jeito de ser, pelo contrário terá confirmado, disse de mim uma corajosa, terminou 'não é fácil viver ao contrário de toda a gente'. Na altura calei, hoje penso que é bem mais fácil do que se julga, sermos nós é o mais fácil do mundo. Eu dou mas é os parabéns aos grandes fingidores que cruzam o nosso caminho. É uma trabalheira usar tanta máscara e encarnar tanto personagem um pouco 'ao gosto de freguês'. Eu sou tão preguiçoso que vou pelo caminho mais fácil. Não me chamem corajoso, é puro comodismo.

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publicado às 10:22

Encontros felizes

por Cláudia Matos Silva, em 31.05.14


Momento solitário, uma saída com a melhor companhia do mundo, direito a comidinha de plástico como se faz às crianças em dia de festa. Sentei-me degustando uma quantidade absurda de gelado, porque sou bruta pedi o copo maior e tudo a que tinha direito, fiquei de olhos postos na maravilha que me circundava. Observava o rapaz do 'coque', as raparigas das tatuagens ou as velhotas de cabelo tufado, todas partilhando o mesmo espaço e quebrando este momento de sublime observação, entra pelo meu ouvido um som irritante de tosse. Diria, várias tosses, muita gente a tossir em meu redor e sem querer também começo descontrolada. Tossimos todos numa sinfonia tão desagradável. Ao que parece ou temos aquela coisa chata de tossir sempre que ingerimos coisas frias ou então aquele seria um momento digno de estudo. Há o bocejo em cadeia, surje a tosse por atacado.  Mas será que quando eles tossem também ficam com uma terrível comichão no ouvido direito?

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publicado às 10:03

Contra factos

por Cláudia Matos Silva, em 29.05.14

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publicado às 09:28

O meu retiro alcatifado

por Cláudia Matos Silva, em 28.05.14


O bicho está bem em cima de mim, como se eu fosse um colchão, instala-se. O outro observa-o ao longe, roga-lhe pragas, bem sei. No meu entender onde há lugar para um, há para dois, eles não pensam bem assim e destribuem unhadas no ar a cada aproximação. Fico no meu retiro, o comando na mão, canal 15 a ver o novo do Manuel Vieira 'Portugal Alcatifado'. Recomendo.

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publicado às 19:09

Pronta para mais um dia do cão

por Cláudia Matos Silva, em 28.05.14


E qual a melhor forma de enfrentar um dia do cão?! - encavalitada num monumental gato, pois claro. 


Claro que não, um gato tem orgulho, nunca iria permitir que fizessemos dele uma mula de carga e por mais que gostem de nós no momento do aperto são os primeiros a fugir para salvar o 'coiro'. O felino é egoista e não há nada de mal nisso, também nós, mas tendencialmente adoramos disfarçar o nosso verdadeiro instinto com atitudes corajosas, mas quando não estamos realmente no domínio das nossas emoções tudo se desmistifica e instala-se uma guerra mundial por causa de um par de 'taparueres'. 


E qual a melhor forma de enfrentar um dia do cão? - não faço ideia, pois não. Tenho para mim que os pés descalços e bem assentes no chão e a consciencia de que tudo está para acontecer é um bom princípio para aceitar de braços abertos o que vier. Encavalitada é que não, os atalhos ou as boleias é fazer-nos passar ao lado de uma série de vivências, nem que seja mais um dia do cão. 

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publicado às 08:12

A estória de Leonardo

por Cláudia Matos Silva, em 28.05.14


Leonardo, o meu primeiro gato. Verdade dos factos, o gato do meu pai, porque o bicho nunca me suportou. Durante 14 anos a nossa convivência inexistente, faria de Leonardo não um gatinho mas uma besta com quatro patas. É bruto, está na natureza do próprio bicho, e custou-me encaixar durante 14 anos que para o Leonardo gostar de mim bastaria apenas deixá-lo respirar. De há um ano para cá, Leonardo foi deixado aos meus cuidados, e embora não gostasse dele, forcei-me por torná-lo mais saudável, estava tão anafado que parecia um chouriço. No fundo, durante este ano de convivencia assegurei-lhe o espaço que precisa para ser ele próprio, o que no meu entender mais não era do que desprezo, lá no entender do animal seria a prova de que estaria finalmente pronta para receber os seus afectos felinos. Leonardo de hoje revela-se meigo, carinhoso, afável e carente. Junta-se a mim, afasta o doce Benjamin para longe e ocupa-lhe o lugar cativo, para juntar o pêlo à minha almofada. Pouco a pouca começa a fechar os olhos e dorme um sonho profundo ali ao meu lado e em silêncio agradeço-lhe por finalmente me ter escolhido. 

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publicado às 07:50

Porque gosto de Jon Hopkins?

por Cláudia Matos Silva, em 27.05.14


Eu tenho epilépsia.

Vá, não se alarmem. É coisa menor.

Os que sabem da matéria dizem-vos que existe pelo menos uma centena de variantes da epilépsia. A minha é só das que faz comichão de vez em quando, nada de alarmante. Chamam-lhe epilépsia do lobo temporal, é desconfortável e pode causar situações embaraçosas, mas de resto lido pacifica com este desvio. Esquecia-me de um detalhe, muitos serial killers têm uma epilépsia do lobo temporal, mas não me parece um dado fundamental, pois não?

Jon Hopkins é electrónica orgânica, e parece um contrassenso, porque a electrónica por princípio é fria mas não a da Hopkins. E no disco 'Immunity' sinto projectada parte da minha inquietação quando um desses surtos epiléticos de mansinho se apodera de mim para me atirar para um canto como se o meu corpo fosse apenas uma boneca de trapos. 

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publicado às 20:55

O equilibrio

por Cláudia Matos Silva, em 27.05.14


Faço um esforço sobrehumano para me equilibrar. M. fala em chacras, L. em jesus mas eu prefiro essa complicada arte do autocontrolo. Reprimo parte da besta que existe em mim para , a bem, existir em sociedade. Não deixo de ser eu, nunca, apenas equilibro as forças por forma a compreender melhor quem me rodeia. Mas eu não sou uma equilibrista profissional e há dias que não alinho 'na linha' e sabendo disso, isolo-me para evitar danos. Longe de mim magoar em vão, pelo simples requinte de ver sofrer, então desapareço umas horas até conseguir pôr-me 'na linha' outra vez. É por isso que me custa, mesmo muito, chamar pacificamente à atenção a vizinha do segundo porque preciso sair e tenho o carro atravancado pelo dela, e oiço da sua boca os piores desaforos, quando para inicio de conversa deveria ter um pedido de desculpa. Nem por um instante saí 'da linha' porque é cada vez maior este domínio, especialmente em situações desafiantes. Num mundo cheio de pessoas desiquilibradas está dificil manter-me sã. 

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publicado às 20:12

Soltas em Barcelona

por Cláudia Matos Silva, em 27.05.14


Barcelona

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publicado às 20:09

Lost in Translation

por Cláudia Matos Silva, em 26.05.14


É com agrada que reconheço finalmente a experiencia em Barcelona como 'menos má'. Passaram duas semanas e o descontentamento dos primeiros dias foi descaindo aos poucos, para agora dar origem a lembranças que geram sorrisos. Eu disse sorrisos, não saudade. E do tanto que deixou a minha bilis fervinhar incrédula, tendencialmente pelos piores motivos, recordo um dos mais bonitos momentos vivivos na cidade de Gaudi. Numa zona bonita (como de resto é praticamente toda a cidade), um grupo de pássaros voava de uns pontos para os outros, carregando galhos maiores que eles próprios entre os pequenitos bicos. As asas acenavam frenéticas rumo ao ninho e o bico firme não largava aquele ramo que por vezes ameaçava fazer o passaroco aterrar sobre os nossos pés, tal a exaustão. Maravilhados, quisemos falar-lhes, mas todos com a mesma resposta 'ligamos depois, estamos mesmo muito ocupados' e iam a uma próxima árvore arrancar mais um galho para segundos depois passarem por nós com a promessa de um telefonema que nunca chegou. Mesmo assim, o mais louvável em Barcelona, mas parece-me que poderiamos ter assistido a um destes filmes noutra cidade qualquer onde fossemos mais bem acolhidos.  

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publicado às 20:30

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